{"id":426,"date":"2016-06-14T11:41:22","date_gmt":"2016-06-14T14:41:22","guid":{"rendered":"https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/?p=426"},"modified":"2016-06-14T11:42:08","modified_gmt":"2016-06-14T14:42:08","slug":"sensibilidade-na-coluna-sinal-clinico-frequente-no-frio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/sensibilidade-na-coluna-sinal-clinico-frequente-no-frio\/","title":{"rendered":"Sensibilidade na coluna: sinal cl\u00ednico frequente no frio"},"content":{"rendered":"<p>Com o frio aumenta a incid\u00eancia de pacientes com dor na coluna vertebral, por isso segue abaixo uma r\u00e1pida revis\u00e3o das afec\u00e7\u00f5es da coluna vertebral.<\/p>\n<p>As anormalidades espinhais ocorrem com bastante freq\u00fc\u00eancia e a maioria delas tem significado cl\u00ednico (dos Santos et al 2006).<\/p>\n<p>As altera\u00e7\u00f5es mais comuns incluem varia\u00e7\u00e3o no n\u00famero normal de v\u00e9rtebras (excesso ou aus\u00eancia, v\u00e9rtebras em bloco e v\u00e9rtebras transicionais) e v\u00e9rtebras mal formadas (hemiv\u00e9rtebra, v\u00e9rtebra em bloco e desenvolvimento incompleto do dente do \u00e1xis) (Thrall, 2002).<\/p>\n<p>Espondilomielopatia cervical caudal ou S\u00edndrome de Wobler ocorre mais frequentemente em c\u00e3es jovens de ra\u00e7as grandes e gigantes. A ra\u00e7a Doberman \u00e9 bastante acometida. Os segmentos C4-5, C5-6, C6-7 s\u00e3o os mais comumente envolvidos e m\u00faltiplas les\u00f5es podem estar presentes como protus\u00e3o de disco intervertebral com hipertrofia do \u00e2nulo fibroso dorsal, hipertrofia do ligamento \u201cflavum\u201d, m\u00e1 forma\u00e7\u00f5es vertebrais afetando os processos articulares, canal vertebral ou corpos vertebrais (Lewis, 1991). Estas resultam em compress\u00e3o est\u00e1tica ou din\u00e2mica da medula espinhal (dos Santos et al 2006).<\/p>\n<p>As anormalidades vertebrais degenerativas tamb\u00e9m podem ser observadas, como a estenose lombo-sacra que leva a chamada s\u00edndrome da cauda equina. Essa s\u00edndrome pode ocorrer em qualquer ra\u00e7a ou tamanho, embora predomine em c\u00e3es com mais de 40Kg (Ferguson, 1996). Essa condi\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica resulta da compress\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o ou deslocamento das ra\u00edzes nervosas que compreendem a cauda eq\u00fcina (Berzon e Dueland, 1979).<\/p>\n<p>Em c\u00e3es a estenose degenerativa lombo-sacra pode resultar do estreitamento anormal ou estenose do canal vertebral lombo-sacral, osteocondrose envolvendo o aspecto craniodorsal da primeira v\u00e9rtebra sacral; mau alinhamento lombo-sacral; instabilidade lombo-sacra; discos herniados e presen\u00e7a de tecido conectivo fibroso no aspecto ventral do canal vertebral da jun\u00e7\u00e3o lombo-sacra; e espondilose ventral deformante ventral na jun\u00e7\u00e3o lombo-sacra (Thrall, 2002).<\/p>\n<p>Espondilose ou espondilose deformante tem sido definida como um colar prediscal de tecido \u00f3sseo neo-formado que liga a c\u00f3rtex ventral e\/ou lateral de corpos vertebrais adjacentes (Thrall, 2002). A espondilose \u00e9 mais comum em v\u00e9rtebras tor\u00e1cicas, lombares e lombo-sacrais de c\u00e3es machos idosos e de meia idade. \u00c9 uma les\u00e3o n\u00e3o inflamat\u00f3ria e o osso neo-formado pode variar de um pequeno oste\u00f3fito at\u00e9 uma ponte completa entre v\u00e9rtebras adjacentes. A espondilose pode aparecer adjacente a um disco intervertebral degenerado, protu\u00eddo ou normal e pode estar associada a um s\u00edtio de instabilidade espinhal, mas frequentemente sua etiologia \u00e9 idiop\u00e1tica (Morgan 1967 e 1988, Wright 1982).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Espondiloses-fe.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-medium wp-image-429 aligncenter\" src=\"https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Espondiloses-fe-300x194.jpg\" alt=\"Espondiloses fe\" width=\"300\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Espondiloses-fe-300x194.jpg 300w, https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/Espondiloses-fe.jpg 598w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>S\u00e3o tr\u00eas as doen\u00e7as que podem ocorrer no disco intervertebral: ruptura do disco, prolapso do disco e hernia\u00e7\u00e3o do disco intervertebral (por protus\u00e3o ou extrus\u00e3o deste). Os sinais cl\u00ednicos das doen\u00e7as dos discos intervertebrais, que causam compress\u00e3o medular, s\u00e3o usualmente neurol\u00f3gicos. Animais afetados podem apresentar dor, com ou sem paresia ou paralisia. A doen\u00e7a \u00e9 mais comum em ra\u00e7as condrodistr\u00f3ficas, como o Teckel, Beagle, Cocker e Pequin\u00eas. O sinal radiogr\u00e1fico mais de doen\u00e7a do disco intervertebral \u00e9 a mineraliza\u00e7\u00e3o ou calcifica\u00e7\u00e3o deste. Outros sinais incluem a diminui\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o intervertebral e esclerose, diminui\u00e7\u00e3o do tamanho ou formato do forame intervertebral, aumento de radiopacidade do forame intervertebral e esclerose das ep\u00edfises articulares dos corpos vertebrais adjacentes ao disco alterado (Owens e Biery, 1999).<\/p>\n<p>A radiografia convencional \u00e9 o m\u00e9todo prim\u00e1rio de escolha no diagn\u00f3stico de altera\u00e7\u00f5es da coluna vertebral, por\u00e9m apresenta limites na avalia\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica em alguns quadros de discopatias, uma vez que a densidade da les\u00e3o mineralizada pode n\u00e3o ser suficiente para revel\u00e1-la, tornando limitada a avalia\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o intervertebral que se apresenta reduzido nos processos de deslocamento do disco intervertebral (Hecht ET AL, 2009). Mielografia, tomografia computadorizada e resson\u00e2ncia magn\u00e9tica s\u00e3o exames complementares considerados no diagn\u00f3stico de discopatias.<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m doen\u00e7as metab\u00f3licas que podem afetar a coluna vertebral, como a hipervitaminose A, o hiperparatiroidismo e a osteopetrose, sendo esta \u00faltima rara (Riser e Frankhauser 1970).<\/p>\n<p>Processos inflamat\u00f3rios e\/ou infecciosos vertebrais podem ser resultantes de espondilites, discoespondilites ou fisites vertebrais (dos Santos et al 2006).<\/p>\n<p>Neoplasias, malignas ou benignas, podem acometer a coluna vertebral. As radiografias simples s\u00e3o muito \u00fateis em avaliar neoplasia espinhais. Produ\u00e7\u00e3o e lise \u00f3sseas causadas por tumores vertebrais podem ser visualizadas em radiografias simples (Seim, 1996). C\u00e3es de ra\u00e7as grandes e gigantes, como o Pastor Alem\u00e3o, Labrador, Dog Alem\u00e3o, s\u00e3o mais frequentemente acometidos por neoplasias vertebrais do que ra\u00e7as pequenas (Thrall, 2002).<\/p>\n<p>Fraturas tamb\u00e9m podem envolver qualquer parte da coluna vertebral, mas os s\u00edtios mais comuns s\u00e3o os corpos vertebrais, processos transversos e processos espinhosos (dos Santos et al 2006).<\/p>\n<p>Luxa\u00e7\u00f5es ou sub-luxa\u00e7\u00f5es da coluna podem ocorrer com ou sem fratura. Sub-luxa\u00e7\u00f5es podem vir acompanhadas de diminui\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o intervertebral (dos Santos et al 2006).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Referencias<\/p>\n<p>BERZON, J.L.; DUELAND, D.R. cauda equine syndrome: Pathophysiology and report of seven cases. Journal of the American Hospitals Assossiation, v.15, p.635-643, 1979.<\/p>\n<p>HECHT, S.; THOMAS, W.B.; MARIONI-HENRY, K.; ECHANDI, R.L.; MATHEWS, A.R.; ADAMS, W.H. Mielography vs. computed tomography in the evaluation of acute thoracolumbar intervertebral disk extrusion in condrodystrophic dogs. Vet Radiol. Ultrassound, v. 50, n.4, p. 353-359, 2009.<\/p>\n<p>LEWIS, D.G. Radiological assessment of the cervical spine of the Doberman with reference to cervical spondylomyelopathy. Journal o f Small Animal Practice, v.32, p.75-82, 1991.<\/p>\n<p>FERGUNSON, H.R. Conditions of the Lumbosacral Spinal Cord and Cauda Equina. Seminars in Vet Med and Surgery (Small Animal), Massachussetts, v.11, n. 4, p.254-258, 1996.<\/p>\n<p>MORGAN, J.P. Spondylosis in the dog: it\u00b4s radiographic appearance. Journal Am Vet Radiol Soc, v.17, n. 8, 1967.<\/p>\n<p>MORGAN, J.P.; MIYABAYASHI, T. Degenerative changes in the vertebral columm of the dog: a review of radiographic findings. Vet Radiol, v. 29, n.72, 1988.<\/p>\n<p>OWENS, J.M.; BIERY, D.N. Radiographic Interpretation of the small animal clinician. In: ___ Spine. 2 ed. Baltimore: Willians &amp; Wilkins, 1999. Cap 7, p. 127-146.<\/p>\n<p>RISER, W.H.; FRANKHAUSER, R. Osteopetrosis in the dog; A report of three cases. J. Am Vet Radiol Soc, v.11, n.29, 1970.<\/p>\n<p>dos SANTOS, T.C.C.; VULCANO, L.C., MAMPRIM, M.J., MACHADO, V.M.V. Principais afec\u00e7\u00f5es da coluna vertebral de c\u00e3es: Estudo retrospectivo (1995-2005). Vet. e Zootec. v. 13, n. 2, 2006.<\/p>\n<p>SEIM, H.B. Conditions of the thoracolumbar spine. Seminars in Veterinary Med and Surgery (Small Animal), v.11, n.4, p.235-253, 1996.<\/p>\n<p>THRALL, D.E. Textbook of Veterinary Diagnostic Radiology. In: WALTER, M.A. The vertebrae. W.B. Saunders Company, 2002. Cap. 9, p.98-109a.<\/p>\n<p>WRIGHT, J.A. A study of vertebral osteophyte in canine spine: Radiographic survey. Journal of Small Animal Practice. v.23, p. 747, 1982.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0121.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" size-medium wp-image-376 aligncenter\" src=\"https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0121-199x300.jpg\" alt=\"DSC_0121\" width=\"199\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0121-199x300.jpg 199w, https:\/\/mobilevet.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/DSC_0121-678x1024.jpg 678w\" sizes=\"(max-width: 199px) 100vw, 199px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Artigo escrito por:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Fernanda Helena Saraiva<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">S\u00f3cia Fundadora da MobileVet<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o frio aumenta a incid\u00eancia de pacientes com dor na coluna vertebral, por isso segue abaixo uma r\u00e1pida revis\u00e3o das afec\u00e7\u00f5es da coluna vertebral. 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