Sensibilidade na coluna: sinal clínico frequente no frio

Com o frio aumenta a incidência de pacientes com dor na coluna vertebral, por isso segue abaixo uma rápida revisão das afecções da coluna vertebral.

As anormalidades espinhais ocorrem com bastante freqüência e a maioria delas tem significado clínico (dos Santos et al 2006).

As alterações mais comuns incluem variação no número normal de vértebras (excesso ou ausência, vértebras em bloco e vértebras transicionais) e vértebras mal formadas (hemivértebra, vértebra em bloco e desenvolvimento incompleto do dente do áxis) (Thrall, 2002).

Espondilomielopatia cervical caudal ou Síndrome de Wobler ocorre mais frequentemente em cães jovens de raças grandes e gigantes. A raça Doberman é bastante acometida. Os segmentos C4-5, C5-6, C6-7 são os mais comumente envolvidos e múltiplas lesões podem estar presentes como protusão de disco intervertebral com hipertrofia do ânulo fibroso dorsal, hipertrofia do ligamento “flavum”, má formações vertebrais afetando os processos articulares, canal vertebral ou corpos vertebrais (Lewis, 1991). Estas resultam em compressão estática ou dinâmica da medula espinhal (dos Santos et al 2006).

As anormalidades vertebrais degenerativas também podem ser observadas, como a estenose lombo-sacra que leva a chamada síndrome da cauda equina. Essa síndrome pode ocorrer em qualquer raça ou tamanho, embora predomine em cães com mais de 40Kg (Ferguson, 1996). Essa condição neurológica resulta da compressão, destruição ou deslocamento das raízes nervosas que compreendem a cauda eqüina (Berzon e Dueland, 1979).

Em cães a estenose degenerativa lombo-sacra pode resultar do estreitamento anormal ou estenose do canal vertebral lombo-sacral, osteocondrose envolvendo o aspecto craniodorsal da primeira vértebra sacral; mau alinhamento lombo-sacral; instabilidade lombo-sacra; discos herniados e presença de tecido conectivo fibroso no aspecto ventral do canal vertebral da junção lombo-sacra; e espondilose ventral deformante ventral na junção lombo-sacra (Thrall, 2002).

Espondilose ou espondilose deformante tem sido definida como um colar prediscal de tecido ósseo neo-formado que liga a córtex ventral e/ou lateral de corpos vertebrais adjacentes (Thrall, 2002). A espondilose é mais comum em vértebras torácicas, lombares e lombo-sacrais de cães machos idosos e de meia idade. É uma lesão não inflamatória e o osso neo-formado pode variar de um pequeno osteófito até uma ponte completa entre vértebras adjacentes. A espondilose pode aparecer adjacente a um disco intervertebral degenerado, protuído ou normal e pode estar associada a um sítio de instabilidade espinhal, mas frequentemente sua etiologia é idiopática (Morgan 1967 e 1988, Wright 1982).

Espondiloses fe

São três as doenças que podem ocorrer no disco intervertebral: ruptura do disco, prolapso do disco e herniação do disco intervertebral (por protusão ou extrusão deste). Os sinais clínicos das doenças dos discos intervertebrais, que causam compressão medular, são usualmente neurológicos. Animais afetados podem apresentar dor, com ou sem paresia ou paralisia. A doença é mais comum em raças condrodistróficas, como o Teckel, Beagle, Cocker e Pequinês. O sinal radiográfico mais de doença do disco intervertebral é a mineralização ou calcificação deste. Outros sinais incluem a diminuição de espaço intervertebral e esclerose, diminuição do tamanho ou formato do forame intervertebral, aumento de radiopacidade do forame intervertebral e esclerose das epífises articulares dos corpos vertebrais adjacentes ao disco alterado (Owens e Biery, 1999).

A radiografia convencional é o método primário de escolha no diagnóstico de alterações da coluna vertebral, porém apresenta limites na avaliação diagnóstica em alguns quadros de discopatias, uma vez que a densidade da lesão mineralizada pode não ser suficiente para revelá-la, tornando limitada a avaliação do espaço intervertebral que se apresenta reduzido nos processos de deslocamento do disco intervertebral (Hecht ET AL, 2009). Mielografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética são exames complementares considerados no diagnóstico de discopatias.

Existem também doenças metabólicas que podem afetar a coluna vertebral, como a hipervitaminose A, o hiperparatiroidismo e a osteopetrose, sendo esta última rara (Riser e Frankhauser 1970).

Processos inflamatórios e/ou infecciosos vertebrais podem ser resultantes de espondilites, discoespondilites ou fisites vertebrais (dos Santos et al 2006).

Neoplasias, malignas ou benignas, podem acometer a coluna vertebral. As radiografias simples são muito úteis em avaliar neoplasia espinhais. Produção e lise ósseas causadas por tumores vertebrais podem ser visualizadas em radiografias simples (Seim, 1996). Cães de raças grandes e gigantes, como o Pastor Alemão, Labrador, Dog Alemão, são mais frequentemente acometidos por neoplasias vertebrais do que raças pequenas (Thrall, 2002).

Fraturas também podem envolver qualquer parte da coluna vertebral, mas os sítios mais comuns são os corpos vertebrais, processos transversos e processos espinhosos (dos Santos et al 2006).

Luxações ou sub-luxações da coluna podem ocorrer com ou sem fratura. Sub-luxações podem vir acompanhadas de diminuição do espaço intervertebral (dos Santos et al 2006).

 

Referencias

BERZON, J.L.; DUELAND, D.R. cauda equine syndrome: Pathophysiology and report of seven cases. Journal of the American Hospitals Assossiation, v.15, p.635-643, 1979.

HECHT, S.; THOMAS, W.B.; MARIONI-HENRY, K.; ECHANDI, R.L.; MATHEWS, A.R.; ADAMS, W.H. Mielography vs. computed tomography in the evaluation of acute thoracolumbar intervertebral disk extrusion in condrodystrophic dogs. Vet Radiol. Ultrassound, v. 50, n.4, p. 353-359, 2009.

LEWIS, D.G. Radiological assessment of the cervical spine of the Doberman with reference to cervical spondylomyelopathy. Journal o f Small Animal Practice, v.32, p.75-82, 1991.

FERGUNSON, H.R. Conditions of the Lumbosacral Spinal Cord and Cauda Equina. Seminars in Vet Med and Surgery (Small Animal), Massachussetts, v.11, n. 4, p.254-258, 1996.

MORGAN, J.P. Spondylosis in the dog: it´s radiographic appearance. Journal Am Vet Radiol Soc, v.17, n. 8, 1967.

MORGAN, J.P.; MIYABAYASHI, T. Degenerative changes in the vertebral columm of the dog: a review of radiographic findings. Vet Radiol, v. 29, n.72, 1988.

OWENS, J.M.; BIERY, D.N. Radiographic Interpretation of the small animal clinician. In: ___ Spine. 2 ed. Baltimore: Willians & Wilkins, 1999. Cap 7, p. 127-146.

RISER, W.H.; FRANKHAUSER, R. Osteopetrosis in the dog; A report of three cases. J. Am Vet Radiol Soc, v.11, n.29, 1970.

dos SANTOS, T.C.C.; VULCANO, L.C., MAMPRIM, M.J., MACHADO, V.M.V. Principais afecções da coluna vertebral de cães: Estudo retrospectivo (1995-2005). Vet. e Zootec. v. 13, n. 2, 2006.

SEIM, H.B. Conditions of the thoracolumbar spine. Seminars in Veterinary Med and Surgery (Small Animal), v.11, n.4, p.235-253, 1996.

THRALL, D.E. Textbook of Veterinary Diagnostic Radiology. In: WALTER, M.A. The vertebrae. W.B. Saunders Company, 2002. Cap. 9, p.98-109a.

WRIGHT, J.A. A study of vertebral osteophyte in canine spine: Radiographic survey. Journal of Small Animal Practice. v.23, p. 747, 1982.

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Artigo escrito por:

Fernanda Helena Saraiva

Sócia Fundadora da MobileVet