Ultrassonografia renal: diagnóstico precoce, diagnóstico complementar e monitoramento das nefropatias

Doenças renais e insuficiência renal são problemas comuns em todas as idades e importante causa de morbidade e mortalidade em cães e gatos.

O exame ultrassonográfico é uma das principais ferramentas para estudar os rins, já que permite que o órgão seja avaliado quanto ao tamanho, formato, localização, ecogenicidade e arquitetura interna.

Em cães, os rins começam a se tornar incapazes de concentrar urina quando aproximadamente 66% da funcionalidade dos néfrons está perdida e a insuficiência renal ocorre quando 75% dos néfrons estão afuncionais. O paciente com insuficiência renal instalada demonstra azotemia na análise bioquímica; no entanto, a disfunção renal pode estar presente nos pacientes antes do início das mudanças bioquímicas.

A doença renal primária pode evoluir acometendo mais de um componente do néfron, causando alterações morfológicas e até vasculares no parênquima renal. Essas lesões podem ser observadas pelo exame ultrassonográfico como: aumento da ecogenidade da cortical renal; perda da distinção entre a região cortical e a medular renal; irregularidade do contorno renal, redução do tamanho renal; presença de sinal da medular; presença de infarto renal e diminuição da perfusão renal com aumento do índice de resistividade.

A ultrassografia renal pode fornecer informações especialmente em duas situações: 1ª. Quando são encontradas alterações ultrassonográficas renais sem haver suspeita de doença renal. 2ª. A doença renal já foi diagnosticada por exames bioquímicos e/ou urina e o exame ultrassonográfico é requisitado para determinar qual é a nefropatia que causou perda da função do órgão. 3ª. Monitoramento dos pacientes nefropatas.

Na primeira situação o paciente já tem a nefropatia, porém não tem sinais clínicos da doença, ou seja, ainda não tem uma perda da função renal suficiente para causar azotêmia. De qualquer forma a alteração ultrassonográfica renal, mesmo sem as alterações dos exames bioquímicos e/ou urina, já é motivo para melhor investigação e possivelmente este paciente já demanda manejos específicos. Neste caso pode ser que se esteja diante de uma ótima condição, quando o diagnóstico da nefropatia é feito precocemente possibilitando instaurar as medidas necessárias para retardar a evolução da doença.

Na segunda situação o exame ultrassonográfico pode colaborar na determinação da nefropatia e consequente escolha do tratamento, são exemplos: doença renal crônica, litíases em pelve renal, processos obstrutivos, pielonefrite, nefrite, massas renais, linfomas renais e displasia renal.

Na última situação a ultrassonografia renal pode dar informações que direcione e ajuste o tratamento da doença renal. Nestes casos é importante o acompanhamento do tamanho renal, tamanho da pelve renal, tamanho e vascularização de massas renais, índice de resistividade renal pelo estudo Doppler, cicatrização de infartos renais, migração de litíases renais, além de observar a evolução das alterações de irregularidade de contorno renal e perda da distinção entre a região cortical e medular.

Sendo assim, fica claro a importância do o exame ultrassonográfico renal nos exames de rotina (check ups), diagnóstico e monitoramento de nefropatias.

 

Referências

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Matéria escrita por:

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Fernanda Helena Saraiva

Sócia e fundadora da MobileVet