Ultrassonografia torácica (não cardíaca): para que serve?

Durante anos a ultrassonografia torácica foi subaproveitada com a desculpa de que o exame tinha valor limitado devido à interposição de gás do pulmão, no entanto, muitos estudos têm demonstrado a utilidade deste método de diagnóstico.

A ultrassonografia torácica é uma ferramenta importante para a avaliação de doenças do parênquima pulmonar periférico, parede torácica, pleura e mediastino cranial.

Essa modalidade diagnóstica confere vantagem de diminuir a exposição do doente e dos profissionais da saúde à radiação e ainda pode ser utilizado no contexto de cuidados intensivos.

A principal aplicação da ultrassonografia de tórax tem sido tradicionalmente a efusão pleural, especialmente no diagnóstico e coleta de amostra do líquido cavitário. Uma das vantagens desse exame consiste na fácil identificação do líquido, mesmo em pequenas quantidades, com sensibilidade de diagnóstico superior à radiografia simples e tomografia computadorizada do tórax. A aparência sonográfica da efusão pleural depende da natureza, causa e cronicidade. Uma efusão pode ser classificada como um exsudato quando ecos, septos ou nódulos são detectados. Abaixo imagem de efusão pleural. Sonograma após drenagem de 1.460mL, 1.670mL e 1.920mL.

Efusão pleural

É possível identificar espessamento de pleura que pode ser causado por uma pleurite. Massas pleurais também podem ser diagnosticadas apesar da tomografia permanecer o método de escolha para o estadiamento.

O método ouro para diagnóstico do pneumotórax é a tomografia, a radiografia também pode ser um método de diagnóstico. No entanto, a existência de um equipamento ultrassonográfico pode auxiliar quando a tomografia e o raio X não estão disponíveis ou a mobilização do paciente é difícil.

A ultrassonografia permite estudar as patologias pulmonares que atingem a periferia do pulmão. Esta avaliação baseia-se nos artefatos produzidos pelo ar. Patologias como edema, pneumonia, consolidação pulmonar e neoplasias podem ser detectadas pelo exame. Abaixo lesão em porção periférica do pulmão sugestiva de neoformação.

Formação pulmonar

As patologias do mediastino são mais bem caracterizadas pela tomografia computadorizada e ressonância magnética do tórax. A ultrassonografia torácica é uma alternativa quando os métodos anteriores não estão disponíveis. É útil na biópsia e/ou citologia reduzindo os riscos de complicações, sobretudo de lesões vasculares através do estudo Doppler.  Além disso, podem ser diagnosticadas neoplasias como linfoma e timoma e ainda linfoadenopatias.

A ultrassonografia permite a avaliação de lesões na parede torácica, permitindo determinar o tamanho, forma, contornos, se a lesão é sólida, se tem cavitações e ainda se há comprometimento de estruturas adjacentes como linfonodos reativos.

Na rotina vejo 4 grandes aplicações da ultrassonografia de tórax: 1. Avaliar a lesão após o diagnóstico radiográfico. As lesões próximas à parede torácica podem ser examinadas por este método de imagem, dando mais informações sobre a origem, sobre o aspecto (sólido ou cavitário), além de avaliar as estruturas adjacentes. Algumas vezes é possível guiar a citologia da lesão.  2. Avaliação dos órgãos e estruturas da cavidade torácica em pacientes críticos. O equipamento de ultrassonografia pode ser portátil e isso permite que o exame possa ser realizado à “beira do leito”. No paciente crítico que não pode ser transportado até a sala de radiografia, a ultrassonografia pode dar diagnósticos como efusão pleural, pneumotórax e edema pulmonar. 3. Drenagens. A ultrassonografia torna o procedimento de toracocentese e pericardiocentese mais seguro, mais eficaz e mais confortável. 4. Guiar coleta de amostra para citologia e biópsia. A visibilização da lesão pela ultrassonografia permite escolher o melhor local para a coleta de amostra, evitando regiões vascularizadas e cavitárias, resultando em aumento do sucesso diagnóstico.

Resumindo, a ultrassonografia torácica pode fazer parte da rotina veterinária, principalmente no caso do exame volante que permite que o paciente realize o exame sem sair da clínica, permanecendo sob os cuidados intensivos se a condição clínica assim exigir.

Matéria escrita por:

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Ms. Mv. Fernanda Helena Saraiva

Sócia e fundadora da MobileVet

Imagens gentilmente cedidas por M.V. Renan Toledo Franciscatto