Suspeita: Obstrução. E agora, solicito Raio X ou Ultrassom?

Não é incomum ouvirmos que um cão filhotinho comeu algo que não devia. Temos vários relatos de corpos estranho, entre eles, os mais comuns são: osso, caroço de fruta, meia, pano, chupeta, brinquedos de crianças e pedras.

Os sinais clínicos da obstrução são anorexia e vômito (mais grave nas obstruções proximais podendo levar à desidratação e alcalose metabólica). Outros sinais podem incluir dor abdominal e distensão abdominal. A obstrução intestinal distal pode ter apresentação mais sutil, pode haver perda gradual do apetite, perda de peso e do condicionamento físico.

Bom, se você está diante de uma paciente com um ou mais sinais clínicos citados acima, que exame deve pedir raio X ou ultrassom?

Como normalmente o trato gastrintestinal contém gás o raio X pode ser uma ferramenta útil para avaliar a topografia e distribuição das alças, dilatação das alças intestinais e localização da obstrução. Nas fases agudas da obstrução intestinal o hiperperistaltismo promove o acúmulo de gás e líquido proximal à obstrução. Além disso, corpos estranhos metálicos e de radiopacidade osso são facilmente identificados pela radiografia abdominal. Com um pouco de sorte corpos estranhos radiotransparentes como bola, caroço, chupeta podem ser envolvidos por conteúdo gasoso e serem identificados radiograficamente.

A ultrassonografia pode identificar dilatações e alterações na motilidade intestinal (hipomotilidade, hipermotilidade e movimentos antiperistálticos). Além disso, pode-se avaliar a parede intestinal podendo detectar lesões focais como massas e lesões difusas como doença intestinal inflamatória. O espessamento difuso e alteração do padrão de camadas das alças intestinais podem sugerir doença infiltrativa como o linfoma, mas não exclui a infiltração inflamatória crônica.

A identificação do corpo estranho pelo exame ultrassonográfico vai depender do formato, das propriedades físicas (material) do corpo estranho e das alterações intestinais associadas (o acúmulo de gás no trato gastrintestinal pode levar a falsos negativos). Outros achados como mesentério reativo, linfoadenopatia e presença de efusão peritoneal podem levar a suspeita de obstrução.

Deu para perceber que o raio X complementa o ultrassom e vice e versa. A escolha do primeiro exame (e não o único) pode ser tomada pelo histórico do paciente, por exemplo, o relato de o paciente ter engolido um corpo estranho metálico, direciona para a radiografia. Ainda pode-se considerar a experiência e preferência do médico veterinário imaginologista por uma modalidade de exame.

Resumindo, a realização do raio X e do ultrassom abdominal no caso de suspeita de obstrução diminui os falsos negativos e dão informações importantes para o cirurgião planejar a cirurgia diante de um quadro fechado de obstrução.

 

Matéria escrita por:

Fernanda_Henela_Saraiva

Ms. Mv. Fernanda Helena Saraiva

Sócia e fundadora da MobileVet